sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Historiar

Neste post não explanarei sobre jogos ou atividades afins. No entanto, não posso afirmar que não utilizarei um tom menos polêmico nas argumentações.
Antes de começar a falar sobre a arte historiográfica, queria agradecer a todas as pessoas que contribuem para a manutenção deste blog ao dedicar alguns minutos de suas vidas para lê-lo. Assim, ao aceitar sugestões e questionamentos dos leitores, irei escrever novos textos a partir dessas elocubrações.
Na vida, somos pegos de surpresa em muitos momentos. Acredito que sempre duvidamos da capacidade de um desconhecido expressar algo belo ou curioso. Entretanto, penso ser relevante certas histórias contadas por pessoas mais antigas, principalmente, por aqueles anciãos que tiveram ou tem em sua atividade diária contato com as mais diversas pessoas. Por isso, venho dividir com vocês, leitores, a minha experiência com um barbeiro viçosense. Desde a primeira vez em que fui cortar cabelo numa barbearia ao lado do Hotel Meridien, fiquei deslumbrado com a forma que um dos barbeiros interpretava os fatos. Na maioria das vezes, esses devotados à diminuir nossa feiura comentam algo que está sendo passado na mídia, mas o interessante está na forma em que compreendem os acontecimentos.
Nessa ótica, outro dia, eu estava sentadinho na cadeira do meio para aparar meus preciosos cachos quando surge o assunto sobre Política, especificamente sobre morte de grandes personagens. Discussão de cá, resposta de lá, até que o seu Getúlio Vargas aparece, e o barbeiro solta que Getúlio era um homem honrado, o maior presidente que o Brasil já teve, e pasmem agora, segundo este senhor, seria uma insanidade mental pensar que um homem como Vargas seria capaz de cometer suicídio, isto é, segundo nosso amigo, meteram um tiro no peito de Vargas para que nosso presidente não pudesse prosseguir com suas políticas. E a partir de Vargas, nossa história resumiu a tiros de bala no peito. Como assim?
De acordo com o emérito aparador de fios, os grandes homens da História do Brasil não morreram ao acaso, mas foram alvos de assassinatos encomendados. Outro caso marcante foi o de Tancredo Neves, que faleceu em decorrência de uma infecção ou falência dos orgãos, mas segundo o barbeiro, foi morto por um tiro, ao qual impediu a sua posse.
Assim, depois desse dia, comecei a pensar mais intensamente sobre como as pessoas compreendem os fatos que as envolvem. Elas presenciam os fatos, e possuem certas limitações para exorcizar as formas de manipulação ao qual os meios de comunicação na maioria o utilizam sobre os fatos, deixando de fora alguns pontos essenciais sobre os eventos. Ademais, não podemos deixar que a petulância acadêmica suba a nossa cabeça e confinamos à esses outros expectadores da vida como diletantes de baboseiras, ou seja, devemos prestar mais atenção nos comentários feitos sobre os fatos, pois a experiência de vida é um grande ensinamento, de modo que o senso comum dessas pessoas são mais aguçados que mil livros mal interpretados.
Portanto, venho clamar pela sabedoria, expor a todos como é preciso o diálogo com as diversas idades, pois o conhecimento não vive estático, mas solto no ar, esperando um espírito capaz de o inalar.