segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Por que ser um Saudosista?

Grandes leitores, estou, novamente, escrevendo para vocês minhas reflexões. Seguindo minha linha mestra, irei identificar as razões de ser um saudosista nos campos da Música e do Futebol. Apesar de amar esse país, por essa mãe Pátria ou Pátria - mãe que exerce uma força enorme sobre minha existência, preciso explicar as razões ao qual admiro ainda mais o passado dessa nação chamada Brasil.

No Domingo, dia 29-11-2009, eu estava lendo algumas crônicas do grande Nelson Rodrigues sobre a torcida do Fluminense. Nessa situação, pensei, poxa porque nós, brasileiros, não temos a fortuna de apreciar belos contos ou maravilhosas crônicas esportivas em nossos jornais. Talvez por ignorância minha, mas não conheço nenhum discípulo ou alguém páreo à Nelson Rodrigues e seu companheiros de jornalismo. A cada frase desse magnifíco autor, parava minha leitura, e pensava: Puta pariu! Que gênio!

Todavia, quando pegamos o Jornal de hoje e vamos direto à parte do Esportes, costumamos nem ver palavras, somente as siglas ou escudos dos times com os respectivos resultados. Será que a culpa foi do Nelson Rodrigues e seus contemporâneos por não terem produzido, ensinado e mostrado à outras pessoas o segredo de nos saudar com belas expressões e pensamentos resumidas em frases inimagináveis?

Cadê, Cadê, não acho nada. Só vejo resumo, resumo e cada vez mais, reportagens mais resumidas, pontuais, parecendo máquinas ao descrever. Pois, se fossem escritas por uma mente brilhante, acredito que teriam palavras consubstanciadas de grandes pensamentos, expressões inéditas que proporcionariam fantasias, sonhos ao reverenciar às partidas assistidas.

Agora, na Música, veio ao ouvir o grande Villa, conhece? Villa?

É o Villa-Lobos, o maior compositor de música erudita que essa grande pátria-mãe ou mãe pátria já teve. Um mineiro que conseguiu sincretizar elementos da cultura, do folclore brasileiro com os compassos clássicos da música erudita. Um compositor que distribuiu seus dons artísticos para o Piano, Violão, para Orquestras, e etc.
Cadê, Cadê? Porém, nesse ramo, Villa Lobos não deixou muitos discípulos, mas se procurarmos nesse Brasilzão, assistiremos, e ouviremos grandes artistas. Por exemplo, o Elomar, um malungo, trovador do sertão Baiano, que como Villa-Lobos, congregou elementos regionais, costruindo belas, maravilhosas, ou ornamentadas canções e cantorias.

É por isso meus amigos, é por isso que sou um saudosista. Porque essas obras construídas no passado não envelhecem. Basta, somente, ter visões simples, ouvidos sagazes para absorver o que nossos mestres nos deixam. Outro motivo, era que, em nossos rádios, como em nossos jornais, era, praticamente, obrigatório passar, transcrever essas monstruosidades, obras que deixam nossos dias mais agradáveis.

Hoje, nossos Jornais publicam imagens de mulheres frutas: Melancia, Maçã, Morango, e por aí vai. Ou assassinatos, corrupção. Cadê, Cadê? A cada ano que passa, fica mais difícil encontrar belas crônicas, belos contos nos jornais. E quando encontramos, é preciso desembolsar R$ 4,00 para ler uma página de todo jornal.

Em relação à música, nem preciso comentar sobre as rádios brasileiras em sua maioria, até porque quase ninguém escuta rádio hoje em dia. No Rio de Janeiro, a Rádio MEC nos presenteia com música de melhor qualidade, mas fica restrito à grande Rio.

Todavia, hoje temos os blogs, em muitos desses meios, são cultivados excelentes reportagens, como também nos proporcionam altos links para encontrar nossos compositores prediletos e suas obras. E como um saudosista sagaz, não nego a modernidade, mas acredito que devemos exigir o melhor de nossos artistas, pois, eu queria ter o privilégio de assistir à um novo Villa ou ler um Nelson do século XXI.

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