terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Bar do JM: A saga bonjesuense

Caros Leitores e amigos, este Post é uma homenagem à minha Família, e ao recinto que há onze anos promove entretenimento, arte e cultura para os cidadãos bonjesuenses. Estou falando aqui do Bar do JM, conhecido também como Bar do Zé Manel, e que, inicialmente foi concebida como uma promissora quitanda. Mas as circusntâncias fizeram com que o dono esquece-se das verduras e legumes para se dedicar a venda de bebidas em geral.
Desde a inauguração, sempre fui um frequentador deste bar, mas como empregado. Não um empregado formal, pois minha função, era ser uma válvula de escape em serviços de urgência. Desde então, minha rotina nunca mais foi a mesma. Chega de baboseira, estou aqui para falar do bar e não da minha função lá.
O dono, José Manoel, é um destacado veterinário, que com a falta de chamados médicos paras as vacas, teve que pensar numa nova forma de sobreviência. Um caboclo que sempre foi respeitado como veterinário, mas foi no Bar, que encontrou sua vocação. Seu mau humor miscigenado à sua dedicação e amor ao trabalho, despertam em muitos fregueses uma admiração inexplicável. Além de que, quando cisma de tomar uma cachaça, perde o jeito carrancudo, bravo e ao mesmo tempo tímido, e joga as mãos nas cordas do violão encantando seus fregueses. E apesar de tocar quase as mesmas músicas durante vinte anos, seu carisma consegue transformar as músicas antigas em novos sucessos.
Dentre a objetividade e a racionalidade que nos encontramos, todo empreendimento, para ter sucesso, deve agradar à seus clientes em diversos fatores. Mas neste Bar, a excelência não fica em primeiro lugar, tirando os quesitos de cerveja gelada e alguns bons tira-gostos, não é um lugar reconhecido por demandar excelência nos serviços. Até porque, como relatei anteriormente, o dono, em certos momentos de êxtase, esquece de suas obrigações no Bar para tocar a sua viola. Ademais, seu mau-humor temporário, em vez de afastar muitos fregueses, os aproximam, e alguns sacanas, aproveitam este estado de espírito para tirar uma sarra com o micro-empresário bonjesuense.
No entanto, deve-se lembrar que ninguém constrói um patrimônio sozinho. Então, JM sempre requisitou à ajuda dos empregados, figuras célebres, e principalmente, da sua família. Esses empregados constitui-se de figuras marcantes. O mais antigo, Cristian, conhecido também como filho do Manel, consegue em menos de um ano, perder dentro do próprio recinto de trabalho, celular, óculos, mp3, outro celular, e asssim em diante. Um rapaz muito dedicado, mas os neurônios da memória foram obstruídos, pois sempre minha mama chama atenção deste caboclo, por deixar seus pertences em lugares impensáveis. O outro, um ex-funcionário chamado Victor, cujo apelido se dá por Gulozito. Pra variar, as pessoas fizeram uma redução do seu apelido, e assim ficou reconhecido como Gula. Esse funcionário destacava por suas trapalhadas, sempre cedia ás brincadeiras dos fregueses, até que achou um médico que o admirasse, e lhe recompensasse com gordas gorjetas, mas também, não podia ver o Doutor na esquina, que já colocava uns 20 coopos no Freezer, para deixar a cerveja do meritíssimo sempre gelada.
E assim, é montado, reconhecido o Bar do JM, que há uns 5 anos, é tido como point da cidade de Bom Jesus do Itabapoana. Recentemente, lhe concederam o título de Lapa de Bom Jesus, pois com artistas imprevisíveis e talentosos surgindo como geração espontânea. Entretanto, a peculiaridade deste recinto, é que ele cobra dos artistas, JM não dá colher de chá para ninguém. E a sua desculpa é sempre a mesma: " Não fiz acordo com ninguém para tocar aqui, quem tocou, foi porque quiz". E mesmo assim, toda semana aparece um sujeito querendo mostrar serviço, e por isso que digo, o amor à Arte está acima de preocupações pecuniárias.
Além de empregados caricatos, há também, fregueses caricatos. Minha mãe outro dia, disse que havia uma turma que poderia ser chamada de retrato. Porque todo dia comparecem, batem o catão antes mesmo da Quitanda, ops, do Bar abrir. Alguns, quando o dono do bar se atrasa, ficam ligando para o dono para que esse cubra a carência de cevada. Outros, até mesmo em tempos de abstinência alcólica, continuam com uma marcação cerrada.
Bem, esse é o resumo do Bar do JM, ou seja, o bar do meu pai. Aqueles que frequentam, espero que tenham gostado dessa sinopse. Que tenham deleitados sobre algumas caracterísiticas do bar. Sendo assim, ofereço a sugestão para que as pessoas que quiserem comentar, pedir uma história sobre o bar, ou mesmo quiser contar a sua história vivida neste local. Fiquem à vontade. À aqueles que quiserem escrever uma história inteira, mande para o meu e-mail:netobj@gmail.com, que postarei aqui em seguida.
Todavia, antes de terminar, eu queria expor qual é a grande base sustentadora deste Bar. Como havia dito acima, a família ajuda muito ao José Manoel à manter esse Bar por onze anos. Sua esposa, o ajuda, como nenhuma outra mulher no mundo, uma mulher com 1,60 que consegue expulsar certos fregueses inconvenientes com uma classe de invejar Arnaldo Cesar Coelho. Sem essa mulher, JM já teria abandonado o barco no primeiro ano. Sem contar também a ajuda dos seus dois filhos, que fazem apenas o papel de coadjuvante nessa história. Porque os grandes atores e ao mesmo tempo diretores, são meus pais. Somente donos de bar, conseguem saber, entender e compreender o que é essa vida. Fica aqui uma homenagem ao Bar, e, principalmente, aos meus pais, pois com a manutenção desse bar, Bom Jesus ainda possui uma saída cultural.

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